• Mayara Labs;Miriam Furlan

Homem-aranha no aranhaverso (2018)



ou Sobre a incerteza de nossas escolhas.

Miles é um garoto que leva uma vida comum: mora no Brooklyn com os pais e a irmã, estuda em um semi-internato onde se sente “deslocado”, tem dificuldade para se relacionar com as meninas, é atrapalhado... a típica fase adolescente. Tudo muda quando ele é picado por uma aranha radioativa que lhe dá super poderes, os quais ele não entende e tampouco consegue lidar

.

Fica bem claro na produção o paralelo entre a fase do desenvolvimento em que Miles se encontra, a adolescência, e a novidade proporcionada por sua nova condição de super-herói: nessa fase ficamos “perdidos”, sem saber o que “queremos da vida”, em uma espécie de zona de transição entre a infância e a vida adulta, onde não temos total controle de nossas emoções (assim como Miles não tem, de início, controle sobre seus poderes). Assim como ocorre em suas relações interpessoais, o garoto tem dúvidas sobre como se comportar frente aos poderes: em alguns momentos quer negá-los, como forma de defesa, em outros quer entendê-los. Como adolescente, o menino tem como referência seu tio, que o ensina a grafitar e como “chegar” em uma garota. Já como potencial super-herói, Miles tem outros “aranhas” que aparecem em seu universo depois de uma experiência mal sucedida do vilão da trama.

É na relação com esses outros super-heróis, principalmente com Peter Parker (o mais velho dentre eles) que Miles vai compreendendo como controlar seus poderes e aprende que ele pode, mesmo tão jovem, ser alguém que importante:

“Quando eu vou saber que sou o Homem-aranha?”

“Não vai. É isso que é, Miles. Um ato de fé.”

Da mesma forma que ficamos indecisos durante a adolescência no que diz respeito, por exemplo, à qual carreira seguir ou se queremos ou não iniciar um relacionamento, Miles aprende que, independente das escolhas que tomamos, nunca temos certeza de que a opção seguida é a certa, precisamos ter um “ato de fé”, como disse Peter, pois só sabemos se tomamos a decisão correta depois de algum tempo. O importante é confiar em nossas competências e seguir o caminho onde acreditamos que podemos utiliza-las de forma plena e compreender que, toda fase de dúvida nos proporciona desenvolvimento emocional e humano.

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