• Mayara Labs;Miriam Furlan

Infiltrado na Klan (2018)



ou Sobre o ser cômico, se não fosse trágico.

Seria cômico, se não fosse trágico – foi a frase que me veio ao assistir “Infiltrado na Klan”. Um policial negro, Ron Stallworth, que se infiltra na Ku Klux Klan de Colorado por meio de telefonemas e cartas e que treina um policial branco para estar presente fisicamente na seita durante os encontros dos membros.

Quando os dois policiais juntos, Ron e Flip, fazendo o papel de um único policial, conseguem se tornar o líder da seita (conseguem porque o “personagem” de Ron foi criado por ambos), eles sabotam uma série de linchamentos e crimes de ódio que estavam sendo orquestrados pela Klan a partir seu discurso e atitudes racistas.

Sim, seria cômico se não fosse trágico e verdadeiro... No final da produção são exibidas cenas reais de carros passando por cima de pessoas negras, atrapalhando protestos da população, e tudo isso nos dias de hoje... um lamento e tanto para a nossa sociedade.

Estamos no tempo do racismo velado, onde é comum ouvirmos:

“Não tenho nada contra negros, desde que fiquem entre eles”

“Eu não sou racista! Até tenho amigos negros!”

“Tinha que ser preto para fazer isso”

“Certeza que foi um negro que roubou aquilo”

O filme deixa bem claro como podemos ver uma pessoa sem levar em consideração o tom de sua pele, um homem negro conseguiu se infiltrar em uma seita racista sem ser visto. Podemos muito bem ser quem quisermos ser até o momento em que somos vistos, infelizmente nossa sociedade ainda funciona dessa madeira. Eu quero ser modelo, até o momento que veem que sou gorda, eu quero ser policial, até o momento que veem que sou mulher, eu quero ser (qualquer profissão), até o momento que veem que sou negro ou que sou outra coisa que não condiz com aquela profissão.

Somos tachados o tempo todo por “padrões”, mas que “padrões” são esses que acabam tendo privilégios sob quem não se encaixa neles? É uma luta constante e que aos poucos tem sido ouvida: seja por meio de protestos, de conquistas de pessoas em lugares que “não eram pra eles”, seja pelos filmes, seriados, arte...

Seguimos mudando!

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