• Mayara Labs;Miriam Furlan

Roma (2018)



ou Sobre o cotidiano, o inesperado e o amor verdadeiro.

Confesso que quando comecei a assistir Roma já fiquei esperando as desgraças começarem a acontecer e, então, quando o filme acabou fiquei pensando: por que sempre tem que haver desgraça para ter graça?

O filme mostra a vida de uma família de classe média que vive no México: o pai médico que sustenta a mulher e os quatro filhos, a mãe Sofia que cuida da casa e dos filhos e Cleo, que trabalha como babá e empregada doméstica junto com sua irmã. Ao longo de cerca de um ano mais ou menos, Roma vai mostrando o cotidiano dessa família e dos acontecimentos inesperados, como acontece com a vida de todos nós.

Após refletir sobre essa pergunta que me fiz, comecei a ver a beleza desse filme e da nossa vida, que é muito maior que eventos inesperados que nos deixam tristes, desiludidos, bravos, ansiosos... É o cotidiano, o cuidado, o amor verdadeiro pelo outro que mostra a beleza e o real sentido da vida.

É nítido na produção a união, a empatia, o cuidado e o amor pelo outro quando Cleo cuida e brinca com as crianças, quando demonstra respeito pelo espaço do casal, quando cuida e zela pela casa, quando Sofia, a patroa, se preocupa com a empregada e a ajuda... são momentos como esses do cotidiano que fortalecem nossas relações.

E não é exatamente assim que a vida é? Quando há eventos inesperados realmente sabemos quem está do nosso lado, independente da diferença de classe social, cor... No filme, as personagens vão se aproximando cada vez mais conforme os eventos vão ocorrendo – o apoio de Sofia a Cleo quando ela conta que está grávida, a ajuda da irmã de Cleo para ir atrás do pai de seu filho, o compartilhar da dor quando as duas são rejeitadas pelos homens (Sofia é traída pelo marido e Cleo é agredida pelo pai de seu filho), o valor de cada mulher naquela família, o luto de Cleo e de sua “família” com a perda do bebê, a viagem da patroa com a empregada e os quatro filhos para ambas “esquecerem” de seus problemas, entre outros momentos.

Não é preciso que haja desgraça para que a vida tenha graça, mas são nesses momentos que podemos ver o amor verdadeiro nas relações. Assista ao filme e então para e pense um pouco no seu dia-a-dia: como você vive esse cotidiano? E nos eventos inesperados, quem estava lá com você?

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