• Mayara Labs;Miriam Furlan

Vice (2018)



ou Sobre aqui se planta, aqui se colhe.

Quem é o Vice? O filme retrata o vice de George W. Bush, Dick Cheney, que tinha uma grande influência na casa branca, influência essa que ele exigiu do então candidato à presidência quando o mesmo o convidou para ser seu vice. Durante seu mandato, percebe-se que Dick foi um dos vice-presidentes mais manipuladores e, consequentemente, poderosos do governo norte americano: influenciou a invasão no Iraque, o atraso da utilização da energia solar em seu país e tantas outras medidas que ainda têm consequências nos dias atuais nos EUA.*

Falando sobre “o que se planta, colhe”, “Vice” mostra a trajetória de Dick desde sua fase de bebedeira e falta de responsabilidade e perspectiva profissional, até tornar-se um dos maiores influenciadores da política mundial. Ao lado dele, temos sua esposa Lyn – parceira fundamental nessa jornada pessoal, uma vez que a mesma o apoiava e cobrava uma mudança de postura do marido – e o Republicano Donald Rumsfeld, seu “mentor político”, que inseriu Cheney na carreira política, confiando nele como seu assessor direto. Foi Rumsfeld quem o ensinou as artimanhas do meio político, tornando-o, talvez, mais poderoso que o presidente George W. Bush.

Mas e se Lyn, já traumatizada por ter um pai alcoólatra, não tivesse ameaçado Dick com o divórcio caso ele não mudasse? E se ela não tivesse enxergado que um relacionamento saudável não incluí a dinâmica destrutiva de seus pais? E se ela tivesse apenas “aceitado” que aquele modelo de interação fazia parte de todo matrimônio?

Muitas vezes, achamos que por nossa família ser de determinada forma, nunca poderemos mudar o rumo da nossa história. O casal Cheney escolheu ser diferente dos pais de Lyn a partir da posição firme de dela em relação aos comportamentos do marido:

“Duas vezes... Duas vezes! Eu tenho que te arrastar para fora daquela cadeia como um vagabundo imundo. (...) Você sente muito? Uma vez é ‘desculpe’. Duas vezes me faz pensar que eu escolhi o homem errado! (...) Aqui está o meu plano. Ou você fica de pé e se endireita e tem a coragem de tornar-se alguém ou eu vou embora! Eu conheço uma dúzia de caras e alguns professores da escola que namorariam comigo! (...) Eu preciso de você (...). Eu vi minha mãe esperando todas as noites meu pai chegar em casa e vi meu pai bêbado e levantando a voz, mas eu não sou mais aquela. Então você pode mudar? Você pode mudar ou eu estou desperdiçando meu maldito tempo?”

Assim como Lyn, você pode se libertar das suas culturas familiares se elas não fazem sentido para você. Não é porque seu pai é médico que você tem que seguir na mesma área ou porque sua mãe trabalha em um banco que você tem que seguir para área de contabilidade. Da mesma forma não é porque seus pais brigam muito que você tem que encontrar alguém parecido com eles. As repetições familiares se dão porque as escolhemos e não porque já estão determinadas.

O que ocorre é que às vezes sentimos um incômodo com certas atitudes nossas e não conseguimos ver que estamos diante de uma repetição familiar. A terapia de família pode te ajudar a se conhecer como indivíduo inserido em sua dinâmica familiar por meio do genograma e dar a você maior autonomia para tomar decisões e compreender o porquê de se comportar dessa ou daquela forma.

Mas, independente do seu histórico familiar, o fato é que tudo o que plantamos no momento presente colheremos no futuro, seja esse futuro no segundo seguinte ou anos depois. E então quero saber: o que você tem plantado na sua vida?

*No Brasil não é diferente, nossos políticos têm um poder muito grande sobre o destino do país, daí a importância de sempre pesquisarmos e votarmos conscientemente, pois nossas decisões hoje influenciarão o futuro, e muitas vezes, um futuro próximo.

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