• Mayara Labs;Miriam Furlan

Sad But True (Metallica, 1991)



Ou sobre como nossas experiências ruins

podem dominar nosso comportamento

Quinto single do controverso álbum Metallica (também conhecido como Black Álbum), da banda de heavy metal de mesmo nome, Sad But True é uma canção cheia de significados e que pode ter interpretações que vão desde bem x mal à crítica à fé cega. Aqui, claro, faremos uma análise psicológica da composição.

Em entrevista concedida em 2012, o vocalista James Hetfield (que compôs a música com o baterista Lars Ulrich) referiu que não havia percebido “que a dualidade era tão flagrante” na música. Ainda segundo Hetfield, o tema foi inspirado no filme Magic (1978), onde um ventríloquo é dominado por seu boneco, que está sob influência do mal, numa clara metáfora do vocalista a respeito dos meios de manipulação, como a política.

Sad but true, à luz da psicologia, pode ser analisada como um diálogo entre o eu externo, aquele que permitimos que todos a nossa volta enxerguem, e o eu interno, fruto de nossas experiências e seus significados. Embora, na canção, o eu interno tente a todo custo convencer o externo de que este só chegou aonde chegou com sua ajuda e que ele é algo positivo, em várias passagens da música é possível perceber que nem tudo é o que parece. Na primeira estrofe, o eu externo é bombardeado com a argumentação de que o “outro eu” é o único que com que ele pode contar, incentivando-o a isolar-se e a não confiar em ninguém:

“Eu sou a sua vida Eu sou quem te leva até lá Eu sou a sua vida Eu sou o único que se importa Eles traem Eu sou seu único amigo agora Eles trairão Eu estou sempre lá”

Além disso, esse eu interno, moldado através de distorções de interpretação das experiências vividas pelo indivíduo, explana, a partir da segunda estrofe, que é ele quem está no comando, mas que é o eu externo quem arca com as consequências desses comandos quando não consegue contê-los, servindo como uma máscara que esconde o que está sentindo:

“Eu sou seu sonho, faço você real Sou seus olhos quando você precisa roubar Sou sua dor quando você não pode sentir Triste, mas verdade

Sou seu sonho, mente perdida Sou os seus olhos quando você está longe Sou sua dor quando você paga na mesma moeda Você sabe que isto é triste, mas é verdade

Você é minha máscara Você é minha coberta, meu abrigo Você é minha máscara Você é o que é culpado Faça meu trabalho Faça meu trabalho sujo, bode expiatório Faça minhas tarefas Para que seja você o envergonhado”

Sou seu sonho Sou os seus olhos Sou sua dor

Sou seu sonho Sou os seus olhos Sou sua dor Você sabe que isto é triste, mas é verdade

Ódio Eu sou o seu ódio Sou o seu ódio quando você quer amor Pague Pague o preço Pague por nada ser justo Eu sou sua vida Eu sou quem te trouxe aqui Eu sou sua vida E eu não me importo mais

Eu sou seu sonho, faço você real Sou seus olhos quando você precisa roubar Sou sua dor quando você não pode sentir Triste, mas verdade

Sou sua verdade, dizendo mentiras Sou seus álibis racionais Estou em você, abra seus olhos Eu sou você

Triste, mas verdade”

Além disso, podemos notar o tom depressivo do conteúdo da obra, uma vez que o eu externo parece não ter saída e só resta-lhe viver ao bel prazer das reações de seu “salvador”. Felizmente, ao contrário do que o eu interno tenta argumentar, ele não é o único em que o indivíduo pode confiar, mas para tanto, é necessário que esse eu negativo seja “calado” e sua visão de mundo seja ressignificada, o que pode ser realizado de forma mais efetiva através do processo terapêutico.

É preciso que tanto seu eu externo quanto seu eu interno conversem e vejam a relação que um tem para com o outro, se se complementam ou se afastam. Se um está negativo, o outro precisa mostrar o outro lado para tentar achar um equilíbrio nesse negativismo e positivismo e não cair num extremismo.

Como seus eus estão dialogando? Pense nisso.

Link do vídeo com tradução

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