• Mayara Labs;Miriam Furlan

"As vantagens de ser invisível" (2012)



(ou “Sobre os motivos que levam uma pessoa a cometer suicídio”)

Charlie é um garoto de 15 anos que está se recuperando de uma depressão, quando seu único amigo se mata com um tiro na cabeça. O filme conta então a história desse menino que tenta seguir com sua vida com a ajuda de Patrick e Sam, amigos que conheceu na escola, e que o ajudam a se recuperar. As vantagens de ser invisível, que se visto dessa forma parece ser uma filme bobo, na verdade trata de assuntos que precisam parar de ser tabu: a depressão, o abuso de crianças, o suicídio.

Como diz o Dr. Edwin Schneidman: “a melhor forma de entender o suicídio não é estudando o cérebro, e sim as emoções. As perguntas são: “onde dói?” e “como posso ajudá-lo?”” E é justamente o que o filme tenta nos mostrar, o olhar para os sentimentos, as emoções, os acontecimentos que nos levam à depressão. É ver que os problemas psicológicos e emocionais não são frescura, ou que não existem, ou que é drama, falta de Deus... mas sim uma dor que muitas vezes a pessoa só vê como solução o suicídio.

Desde o início do filme vemos que Charlie tem seus problemas e a maneira como ele encontra para se ajudar nesse momento é escrevendo (se você quiser saber mais sobre como a escrita pode ser terapêutica, clique aqui). Escreve sobre seus incômodos com seus pais, sobre sua confiança numa tia que morreu no dia do seu aniversário. Ele vai expressando ali seus medos, angustias, preocupações. Na escola tenta se enturmar, mas acaba tendo dificuldades, e então começa aparecer alguns traumas vividos por Charlie, como a perda de uma amigo que tirou a própria vida e que passava por alguns problemas.

Charlie conhece Patrick e Sam e passa a conviver mais com eles, amigos que o entendem um pouco mais e tentam ajudá-lo. Sam e Charlie acabam se envolvendo e se beijam e nesse momento é como se todos os traumas viessem à tona. Sam, ao que tudo indica sofreu abuso do chefe de seu pai, e Charlie surta ao notar que todos seus amigos foram embora, que seu melhor amigo se matou e que foi abusado pela tia que tanto confiava.

Já parou para pensar a carga que deve ser passar por tudo isso? Muitos dos traumas vividos na infância são “esquecidos” como uma forma de sobrevivência para o indivíduo, e muitas vezes só são lembrados futuramente, e nesse momento vêm acompanhado de uma carga enorme de emoções, fazendo com que muitas pessoas surtem, tentem se matar ou tenham muitas ilusões, como Charlie no filme.

Mas assim como Charlie, que conseguiu se recuperar com o apoio da família, amigos, ajuda médica, você que se encontra num momento difícil, com muita dor, sofrimento, também consegue se recuperar. Como ele diz no filme:

“Minha médica disse que não escolhemos o passado, mas que podemos decidir nosso futuro. Sei que não resolve tudo, mas é o bastante para começar a lidar com o problema.”

E é exatamente isso, aceitarmos que algo ruim aconteceu e saber que o futuro a nós pertence, mesmo com marcas. Saber também que a ajuda do próximo é fundamental, portanto, se você se encontra num momento difícil ou conhece pessoas que estão passando por dificuldades, esteja junto, ofereça apoio, procure ajuda especializada – sempre haverá pessoas que vão te entender, te ouvir e te acolher. Ninguém precisa se isolar e sofrer sozinho, estamos juntos!

Caso precise, o Centro de Valorização da Vida (CVV) está 24h disponível para te ouvir, a ligação é gratuita e você fala com pessoas que estão prontas e preparadas a te ajudar. Acesse (clique aqui) ou ligue 188.

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