• Mayara Labs;Miriam Furlan

O poder terapêutico da escrita



Houve um tempo, em que os sentimentos mais escondidos eram registrados e mantidos “a sete chaves” e era proibido que outra pessoa tivesse acesso a esse verdadeiro mundo interno exteriorizado, o famoso diário. Bastante comum entre as meninas (raramente se ouvia falar de um menino que tivesse um, por questões de preconceito de gênero, claro), muitos deles eram guardados ao longo dos anos e tornavam-se ricos arquivos pessoais. Assim como alguns dos grandes escritores conhecidos externalizaram suas frustrações e angústias por meio de suas obras, quem tinha um diário era capaz de “desabafar” e, depois de um tempo, relendo-o, de se lembrar de tudo o que havia vivido e de como havia superado suas dores.

Muitas vezes, durante o processo terapêutico, tento introduzir esse hábito tão pessoal de escrita, solicitando que os pacientes anotem pensamentos e escrevam o que sentem durante momentos de angústia e, até mesmo, de alegria – por que não? – e tragam essas anotações para os atendimentos. Descrever sentimentos e momentos angustiantes proporciona uma organização de pensamentos que muitas vezes não conseguimos ter apenas refletindo sobre algo, uma vez que, a depender da intensidade da situação, pode ocorrer uma mistura de sensações físicas e de pensamentos que bloqueiam essa organização, impedindo que enxerguemos os fatos como eles realmente são, gerando, assim, mais angústia.

Em outro extremo, relatar momentos de alegria e de vitória via escrita, nos permite, futuramente, buscar recursos de enfrentamento para novas situações, onde podemos não sentir que somos capazes.

Não é necessário ter um caderno bonitinho, cheio de figurinhas e desenhos coloridos para registrar seus pensamentos. Você pode fazer isso em qualquer folha de papel... não há necessidade de se preocupar se sua letra vai ficar feia ou não ou se há erros de ortografia. O importante é “colocar para fora” o que está sentindo, independente do vocabulário que você quiser usar – sim, xingamentos são permitidos, afinal, é uma forma de exteriorizar sentimentos de uma maneira mais intensa.

Apenas escreva tudo o que vier à cabeça e também relate possíveis sensações corporais que surgirem (aperto no peito, dores de cabeça...). Chorou enquanto escrevia? O que esse choro representou para você? Libertação? Tristeza? Anote isso. Depois de um tempo, releia e analise: será que aquela reação que você teve era necessária? Ou você estava exagerando? Será que você finalmente enxergou que está apenas enfrentando as consequências de atitudes não pensadas? Ou, talvez, percebeu, finalmente, que está em um relacionamento abusivo?

Já começou a escrever? Vamos lá!

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