• Mayara Labs;Miriam Furlan

Processos reflexivos ou investigação apreciativa?




No começo de agosto participei do 13º Congresso Brasileiro de Terapia Familiar e hoje quero compartilhar um pouco sobre os dois trabalhos que apresentei no evento. O primeiro deles foi sobre processos reflexivos, de como ampliar as possibilidades terapêuticas na clínica para com seus clientes. Esse trabalho foi realizado com a Silvana Rita Silvestre de Oliveira e outros coautores que participaram da formação internacional comigo ano passado em Práticas Colaborativas e Dialógicas, sob a supervisão da doutora Marilene Grandesso.

Acredito que o grande ganho da psicoterapia é fazer-nos refletir sobre nossa vida, pois o psicólogo não tem o poder de curar nada, de mudar sua vida, mas sim de gerar reflexões para que você decida sobre suas atitudes, seu modo de ser e pensar. E para que essas reflexões aconteçam, precisamos contar sobre nossas histórias, uma vez que são elas que nos dão sentido e regem nossa vida. Às vezes ficamos focamos numa história dominante de sofrimento e não conseguimos ver histórias extraordinárias que nos faz sair dessa linha condutora, é ai que entra o falar sobre nós, o re-contar de fatos passados, o imaginar o futuro, o pensar agora – tudo isso faz parte dos processos reflexivos.

Mas além do momento terapeuta/cliente, eu gosto muito de trabalhar com uma equipe reflexiva, com outros terapeutas que participam de uma determinada sessão escutando o diálogo terapeuta/cliente e num determinado momento exprimem como se sentiram tocados sobre aquela conversa. Ouvir outras vozes, outras histórias, outras formas de se sentir tocado tem sido de tamanha riqueza para os clientes que participam desse processo, eles se sentem mais acolhidos, as vezes instigados, questionadores, lembram de superações, sentem-se mais fortalecidos, esperançosos... Há muitas reações, mas uma coisa é certa: há um ganho na terapia, pois amplia as reflexões.

Além desse trabalho, apresentei com mais três grandes parceiros, Anaclara Miranda Rodrigues, Roberto Ricardi Costard e Maria Carolina Vita Nunes (que não pode estar presente no congresso) sobre um trabalho que realizamos numa empresa para desenvolvimento pessoal por meio da investigação apreciativa. É um processo que somente vivendo para saber dizer, pois é difícil colocar em palavras o quanto o processo de investigação apreciativa nos engrandece, nos faz ver as potencialidades que muitas vezes nem imaginamos que temos, o quanto fortalece e melhora as relações entre as pessoas.

Muitas das vezes ficamos focados no que nos falta e esquecemos do que temos, e é justamente o que esse trabalho propõe e faz acontecer: olharmos para nossas potencialidades, o que temos de melhor e buscarmos melhorar a partir desse potencial, tirando o foco do problema e do que falta, pois se focarmos apenas nisso fica difícil encontrarmos o que falta, não é mesmo? Como encontrar aquilo que não se sabe o que tem? É como procurar o nada...


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