• Mayara Labs;Miriam Furlan

A responsabilização do sofrimento



Esses dias estava estudando um texto da pós da professora doutora Sheila McNamee, que faz reflexões sobre a postura do profissional psicólogo, e muito mais que gerar reflexões para minha atuação, causou-me pensamentos para além do trabalho que gostaria de compartilhar com vocês.

Tendemos a aceitar que todos os problemas que enfrentamos na sociedade contemporânea são sinais de alguma falha ou defeito pessoal, individual, ou seja, quando você sofre é porque a culpa é sua, porque você não fez isso ou aquilo ou porque agiu daquela maneira. Mas será que é simplesmente assim mesmo? Pare e pense um pouco ao seu redor... há muito mais envolvido do que simplesmente você, existe toda uma comunidade que negligencia a dor do outro.

Você tem responsabilidade sobre seu sofrimento? Com toda certeza! Mas tem apoio dos outros? Muito provavelmente não...

Mas o que seria ter o apoio do outro? É ter alguém com você que te veja não somente como um indivíduo “isolado”, mas sim dentro de um contexto e com toda uma comunidade envolvida. Comunidade essa que é formada por indivíduos que precisam estar mais com o outro, a não ignorar a dor do próximo simplesmente porque você não tem a ver com aquilo, ou porque você não considera que tal coisa seja sofrido. Ou como na própria fala de McNamee: “é deixar o outro acontecer com você enquanto você mantém o seu próprio espaço.” – não precisa ignorar o que você pensa a respeito de tal dor, mas também não precisa se fechar para uma visão diferente da sua.

Pare e pense: como você se comporta quando está com alguém que está em sofrimento? Se for algo que vá em direção aos seus valores e princípios, solidariza-se com o outro? E se for contra seus princípios e valores? Solidariza-se, ignora ou fica apontando os erros daquela pessoa?

Aceitar a diferença é aceitar que o diferente existe e que não necessariamente você tenha que estar de acordo com aquilo, mas sim aberto a uma diálogo, a conhecer e não apenas julgar. Não é uma tarefa nada fácil, mas nos faz mais humanos aprendermos a conviver com as várias diferenças.

Pense nisso!

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