• Mayara Labs;Miriam Furlan

O mal da conclusão precipitada



Acredito que uma das maiores dificuldades que encontramos no início de qualquer relacionamento, seja amoroso ou não, é ultrapassar a barreira da desconfiança que a maioria de nós temos do desconhecido – uns mais, outros menos - devido a nossa história de vida. E o quadro se agrava quando nos interessamos por alguém que traz consigo algum tipo de “fama”.

Trambiqueiro, preguiçosa, “fácil”, “galinha”, mau funcionário, “X9”, bitolado, esquisita, “filhinho da mamãe”, puxa saco... Já conheceu alguém que, antes de chegar, “já chegou” através de informações que nem sempre condizem com o real? Ou será que você já foi alguém “famoso”?

Já parou para pensar que, muitas vezes, deixamos de conhecer alguém de forma mais profunda devido à influência de pessoas que talvez nem conheçam esse alguém bem e apenas reproduzem informações distorcidas? Se você está do outro lado dessa história e já passou por isso muitas vezes, pode se fechar cada vez mais e internalizar essas características distorcidas e passar a se comportar de forma que “prove” que os “detentores da verdade” que te cercam estão certos. Sim, isso pode acontecer e não é raro.

Dias atrás estava discutindo com uma paciente sobre o quanto adquirimos esse tipo de comportamento dentro de nossas famílias. É bem provável que você tenha um parente que todos acham “chato”, mas nunca parou para pensar de onde veio toda essa “chatice”. Te ensinaram que ele é assim e é assim que você passou a enxerga-lo durante toda a vida, através desse olhar enviesado. E o mais grave, como já foi percebido por minha paciente em sua família, é que contaminamos as próximas gerações com esse comportamento. Assim, até as crianças passam a achar o tal parente “meio xarope” e nem sabem o porquê.

E se a partir de hoje você procurasse conhecer o outro sem esses filtros distorcidos de terceiros, sem conclusões precipitadas e aberto a novas experiências? E se a partir de hoje você desse um voto de confiança a esse “famoso” e deixasse que ele mostrasse quem realmente é? E se a partir de hoje você, que tem fama de “brava”, de “cara fechada” e de “poucos amigos” permitisse que o outro a conhecesse de verdade, sem medo de ser julgada?

Permita-se conhecer.

Permita-se ser conhecido.

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