• Mayara Labs;Miriam Furlan

Eu não escolhi nascer



- Eu não pedi pra nascer, Mayara...

- Eu também não... Alguém de vocês pediu pra nascer?

A família deu aquela risadinha e todos responderam que não.

Lembrei desse trechinho de uma conversa que tive com uma família, na ocasião foi um adolescente que estava se queixando da vida, mas aqui vamos focar mais na questão do suicídio, um tema que tem sido recorrente na nossa sociedade.

Ninguém pede pra nascer, que eu saiba. Somos um organismo que foi criado e aonde emerge o nosso eu que vai se transformando ao longo do nosso ciclo vital. Como não podemos escolher se vamos nascer ou não, a reflexão que nos cabe quando pensamos “eu não pedi para nascer” ou “eu não queria ter nascido” é sobre o quanto nos sentimos pequenos e impotentes perante a vida e mais ainda sobre a capacidade que a vida tem de gerar novas vidas que não serão escolhidas. Ou seja, vemos a falta de controle que temos sobre nossa vida. Um suicida, por exemplo, muitas vezes, ao pensar essa frase, se vê como sendo um “erro” e deseja que o mundo seja um lugar melhor, para tanto, imagina que ao tirar sua vida dará lugar a outras que poderão fazer uma diferença àqueles que ficam.

É difícil aceitarmos o fato de que não temos controle sobre a vida, como por exemplo uma planta que nasce no asfalto, provavelmente, se ela pudesse escolher onde nascer, seria num jardim rodeado de outras flores, não ali “sozinha” num ambiente que não favorece seu crescimento como uma grama adubada. Mas ali ela nasce, cresce, vive e morre. O mesmo acontece conosco, não escolhemos e, se recusamos o eu que nos foi dado, continuamos atuando na vida da mesma forma, seja em vida ou em morte.

A questão, então, é o que podemos fazer com a vida que nos foi dada: você pode tomar a decisão de terminar com ela (não estou aqui para avaliar sobre essa decisão), pode tentar controlar a vida e travar uma batalha sem fim com ela, bem como pode aceitar os limites que a vida impõe e olhar para eles com carinho e se olhar da mesma forma e seguir a vida... Essa escolha é sua!

Ps: Se você se encontra com esse tipo de pensamento, ou conhece alguém que vem se queixando muito sobre ter nascido, procure a ajuda de um profissional de psicologia ou entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (clique aqui).

#suicídio #nascimento #família #casal #individual #terapia #psicoterapia

76 visualizações