• Mayara Labs;Miriam Furlan

O destino de uma nação (2017)



A produção se inicia com a polêmica escolha, durante a Segunda Guerra Mundial, de Winston Churchill para primeiro ministro britânico: um homem sistemático, exigente, impaciente e, muitas vezes, cruel e rude.

Um grande estrategista, entretanto, e considerado por muitos como desequilibrado por suas decisões polêmicas e rígidas. Churchill, quando “enfiava algo na cabeça”, dificilmente mudava de ideia. Mesmo sob pressão. Seria ele teimoso ou capaz de tudo para defender suas ideias?

Lutando contra todos, inclusive contra conselho de guerra montado por ele mesmo, Churchill tomava decisões baseadas em análises das situações que iam ocorrendo durante a guerra. Muitos não entendiam sua postura, mas a história mostrou que ele estava correto. O filme retrata bem (dada a devida licença poética) o quanto ele teve que discutir com seus conselheiros para manter suas decisões:

“Quando aprenderemos a lição?! Quantos outros ditadores precisarão ser aclamados, apaziguados, cobertos de imensos privilégios, antes de aprendermos?! Não se pode fazer um pacto com um tigre quando a cabeça está dentro da boca dele!”

Nessa passagem, o primeiro-ministro está em uma difícil decisão, pois ela envolve a vida de cerca de 300.000 soldados ingleses que estão cercados na praia de Dunquerque (a mesma passagem retratada no filme Dunkink, do qual já falamos nessa maratona do Oscar 2018 - veja aqui). Ele deseja salvar a maior parte dos soldados, mas não tem apoio de seu conselho de guerra e tão pouco do rei inglês: todos acreditavam que ele se “recusava” a aceitar que a chance da Inglaterra ser invadida pelos alemães era muito grande. Churchill ordena então que todos os barcos civis disponíveis fossem ao salvamento dos soldados de Dunquerque, pois ele acredita que deixa-los para morrer seria demonstrar para Hitler que ele estava vencendo.

Diante de toda a pressão feita pelo ministro de guerra, que insistia em um acordo de paz mediado por Mussolini (outro ditador) e da iminência de uma invasão alemã à França através de Dunquerque, Winston começa a apresentar sintomas clássicos de estresse: irritação extrema, insônia, confusão mental. Sua decisão pelo salvamento dos soldados continuava irredutível, mas levaria certo tempo. Provavelmente como forma de ganhar tempo enquanto os barcos civis são convocados para realizar os resgastes, ele aceita uma negociação com Hitler. Churchill parecia ser o único a enxergar a ameaça nazista, por isso insistia em lutar até o fim, mesmo visivelmente desgastado.

O primeiro ministro, quase dando-se por vencido, já se preparava para aceitar, diante do parlamento inglês, que Mussolini intermediasse um acordo de paz com Hitler quando recebe a visita do rei. Era todo o apoio que ele precisava para continuar lutando contra a Alemanha:

“(...) ainda que alguns neste país temessem seu trabalho, ninguém nesse país o temia tanto quanto Adolf Hitler. Alguém que pode inculcar medo naquele coração brutal merece nossa inteira confiança.”

Contrariando as expectativas de todos, Churchill discursa na reunião do parlamento afirmando que continuará lutando contra Hitler. Esse discurso é considerado um dos mais belos já feitos e alguns de seus trechos já foram usados inclusive em músicas:

Vamos defender nossa ilha,

qualquer que seja o custo.

Sim, certo!

Vamos lutar nas praias,

vamos lutar

nos locais de desembarque,

vamos lutar nos campos

e nas ruas,

vamos lutar nas colinas.

Nunca iremos nos render!

O final disso tudo, nós já sabemos: os soldados de Dunquerque são resgatados, os EUA unem-se aos Aliados e a Alemanha termina derrotada. Mas, e se Churchill não mantivesse sua postura de não se render ao ditador? E se, por medo, ele tivesse cedido à pressão de seu ministro de guerra e assinado um tratado de paz? E se ele tivesse mostrado par Hitler que ele poderia invadir a França?

Muitas vezes, assim como o primeiro ministro, diante das pressões do meio (família, falta de dinheiro e de apoio) e do sistema de crenças que por ventura tenhamos criado e que nos faz acreditar que não somos merecedores ou que somos incompetentes, podemos levantar questionamentos acerca de nossas posturas e até mesmo de nossos sonhos. Assim como ninguém acreditava que Hitler levaria a sério as investidas de Winston, podemos estar rodeados de pessoas que não acreditam em nosso potencial e que acabam minando nossas aspirações. Com isso, podemos terminar cedendo aos “ditadores” que nos cercam.

Churchill, já quase sem forças de lutar, precisou apenas do apoio de uma pessoa para que ele “renovasse seu espírito guerreiro” e continuasse se negando a fazer um acordo de paz com Hitler. E não é o que muitas vezes acontece conosco? Quando alguém importante nos apoia, somos capazes de levar nossos projetos a diante, mesmo sabendo da possibilidade de tudo dar errado. Assim como o primeiro ministro, negamos a nos render e a desistir de algo apenas porque o restante do mundo acredita ser impossível.

E você, prefere assinar acordos de paz com seus ditadores e desistir do que acredita ou está disposto a enfrentar o mundo e não se render?

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