• Mayara Labs;Miriam Furlan

Dunkirk (2017)



A produção retrata a evacuação de milhares de soldados ingleses de uma região francesa cercada por alemães durante a Segunda Guerra Mundial. O tema central do enredo – mostrado sob as perspectivas do exército (terra), da marinha (água) e da aeronáutica (ar) – é a sobrevivência a qualquer custo. Nesse contexto, fica claro o que somos capazes de fazer quando nos sentimos acuados e na iminência da morte, ou seja, quando temos medo.

Esse sentimento foi, ao longo do desenvolvimento humano, um dos maiores e melhores “alertas” de perigo do homem e, até hoje, nos valemos dele em situações do dia a dia. O problema é quando o medo está ligado a uma situação extrema de sobrevivência, onde bloqueamos todos os outros sentimentos que nos tornam humanos (como o amor e a empatia) e deixamos o desespero e até mesmo a ganância nos dominar. Em uma situação de guerra é comum encontrarmos esse tipo de associação, como é bem retratado em Dunkirk na cena onde vários soldados estão dentro de um navio esperando a maré subir. Em determinado ponto, é necessário diminuir o peso da embarcação e o medo toma conta de todos e a fala de um dos soldados deixa muito claro que, a depender da situação, estamos até mesmo a matar para viver:

“A sobrevivência não é justa. (...) É medo, é ganância. O destino testando a coragem dos homens.”

E quando, entretanto, não nos encontramos sem situações extremas, mas agimos como se estivéssemos? Pode parecer exagero comparar um cenário de guerra a uma promoção no emprego ou a vaga em uma faculdade concorrida, mas todas elas ativam a mesma área do nosso cérebro, aquela que nos “desperta” e nos deixa alerta para um perigo iminente. Assim, passamos por cima de todos para conseguir aquela promoção e inferiorizamos nossos colegas de turma como forma de “terror psicológico”.

Nosso dia a dia pode não ter mortos em nossa volta ou bombas caindo do céu, mas é, sem dúvida, um contexto de sobrevivência. A questão é se conseguimos dominar essa área cerebral mais primitiva – que nos faz sentir medo e agir independente da consequência – e fazer sobressair tudo que nos torna mais do que simples animais, como o amor ao próximo. Quanto menos exercemos o autocontrole desenvolvido durante nossa evolução, mais nos afastamos da nossa humanidade.

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