• Mayara Labs;Miriam Furlan

Trama fantasma (2017)



Trama fantasma é daqueles filmes que, enquanto você está assistindo, parece que será uma linda história de amor, mas então você começa a pensar: bom, uma linda história de amor não teria esse título para descrevê-lo – algo assombroso (fantasma), muito menos a palavra trama, que já te remete a algo ruim, um mal contagioso. E não seria para menos o nome do filme, que com muita sutileza, Paul Thomas Anderson, insere a doença nesse relacionamento amoroso destrutivo.

A história se passa na década de 50, onde Reynolds Woodcock, um renomado estilista, trabalha com sua irmã Cyril fabricando roupas para os grandes nomes da realeza britânica. Nesse fabricar e criar roupas, a vida do estilista é permeada por mulheres que entram e saem de sua vida, até o momento que ele conhece Alma, uma mulher de caráter forte e inteligente que passa a ser sua esposa.

Mas mais do que uma simples história de um relacionamento amoroso, o filme mostra o quanto muitas vezes estamos com alguém e nos destruímos achando que isso é o amor, que amar é sentir ciúmes, inveja, posse, ódio, e ao mesmo tempo admirar o (a) companheiro (a), empoderar, ter carência afetiva, estar junto... Então pare agora um pouco nesse momento e pense sobre os seus relacionamentos afetivos: com quais valores eles são permeados? Quais os sentimentos que se fazem mais presentes? Você está se sentindo você mesmo?

Pensou? Então vamos continuar conversando...

O filme mostra o poder destrutivo que um relacionamento (amoroso, fraternal, amigável...) pode ter e o quanto muitas vezes não estamos nos sentindo bem ao conviver com determinada pessoa, mas não queremos enxergar, pois enxergar que estamos “doentes” remete a não viver mais de aparências, a não dar tanto valor à beleza, a não precisar se preocupar com as palavras ditas, a não ser gentil por obrigação... – ou seja, todo esse jogo de cuidar com o que vai se mostrar esconde uma violência silenciosa que vai nos matando aos poucos. Como Woodcock disse no filme:

“Existe uma atmosfera de morte discreta nesta casa”

Uma morte que é povoada por fantasmas que não passam de pessoas ressentidas, amarguradas com suas vidas, que se destroem de forma silenciosa e discreta para que ninguém as veja e, assim, serem vistas como pessoas normais para a sociedade. É uma destruição “aceitável”, pelo fato de que quando pensamos em relações que não nos faz bem sempre remetemos a brigas, mortes, gritos e esquecemos que as brincadeiras de mau gosto, o ciúmes exagerado, a inveja, o rancor, o ódio... também destroem e não os vemos.

Então assista ao filme, reflita e deixe seu comentário abaixo para dialogarmos e aprendermos juntos a ter relacionamentos mais saudáveis, e muito mais que isso, a não aceitarmos mais esse tipo de violência que não se mostra!

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