• Mayara Labs;Miriam Furlan

Lady Bird: a hora de voar (2017)



A produção nos convida a acompanhar a jornada de Christine “Lady Bird” durante o final da adolescência e início da vida adulta. Permeado por acontecimentos simples, mas que pelo olhar da adolescente tornam-se odisseias, muitas de nós podemos nos reconhecer em Christine. A narrativa, que parece simples em um primeiro momento, mas que possui diálogos muitas vezes viscerais entre mãe e filha, encantou a Academia levando-a a concorrer ao prêmio de melhor filme.

Lady Bird retrata a incansável busca adolescente por reconhecimento, significado, individualização e, acima de tudo, liberdade. O nome escolhido pela protagonista é uma clara alusão a esse desejo de tornar-se “eu”. Para isso, ela acredita que precisa libertar-se da cidade pequena, da convivência com o irmão “que nunca vai conseguir um emprego com esse monte de coisa na cara”, da mãe que dá tudo de si para manter a família, dos amigos que acreditam que o que tem é o suficiente.

Mostrando-se egocêntrica na maior parte das vezes, Lady Bird não consegue lidar com sua realidade, motivo que gera muitas brigas com a mãe, uma vez que a mesma é quem sempre a lembra de seu contexto. Como muitos adolescentes, a garota tem uma certa tendência ao tédio e à catastrofização, afirmando que “queria ter vivido alguma coisa”, como se estivesse no fim da vida.

Podemos enxergar um pouco de nossas relações com nossas mães e filhas na mostrada entre Lady Bird e sua mãe: a dificuldade de expor opiniões, de se distanciar e até mesmo de demonstrar carinho. No filme, talvez a passagem que melhor exemplifica isso é a que mostra a adolescente indo embora para a faculdade, onde a mãe, demonstrando uma enorme dificuldade em dizer “adeus” (sim, entre aspas, afinal, Christine voltaria), não se despede da filha dizendo que iria procurar uma vaga para estacionar.

Apenas já em outra cidade, a garota consegue perceber e valorizar as pequenas coisas das quais a mãe sempre se referia, como dirigir pela cidade de Sacramento. Como em muitos relacionamentos, é necessário se distanciar para enxergarmos o que de dentro não conseguimos. Foi o que aconteceu com Lady Bird.

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