• Mayara Labs;Miriam Furlan

A forma da água (2017)



Eliza, uma faxineira muda que trabalha com a amiga Zelda em uma base secreta do governo dos Estados Unidos, é a protagonista dessa história de amor. Nessa base, uma criatura é capturada dos confins da América do Sul e ali é mantida presa e maltratada. Eliza começa então a se afeiçoar a esse “monstro” e quando os norte-americanos decidem usar a criatura como cobaia na corrida armamentista, momento no qual ele corre risco de vida, a faxineira elabora um plano, juntamente com seu vizinho Gales, para capturá-lo. No dia do resgaste, os dois acabam tendo a ajuda de Zelda e do Doutor Hoffstetler. O coronel Richard Strickland ao ver que sua criatura foi “sequestrada”, começa as investigações para descobrir o responsável e matar o “monstro”. O filme então termina com o viveram felizes para sempre, com a união de Zelda e a criatura e a liberdade da mesma.

Esse “conto de fadas bizarro”, bem aos moldes de Guilhermo del Toro, permeado por suas particularidades, nos convida a muitas reflexões, uma delas que pode ser vista de forma bem clara é o xenofobismo, ou seja, a antipatia por pessoas entranhas ao nosso meio, e que no filme é rompida com o amor da faxineira e da criatura. Quantas vezes diante de algo estranho, diferente do nosso convívio nos afastamos e desconfiamos daquilo ou de alguém? Nem tentamos nos aproximar para conhecer o novo, preferimos ficar na nossa zona de conforto e muitas vezes deixamos de realizar algo por medo desse desconhecido.

Pensando no realizar algo, o filme também nos coloca a reflexão de cumprir com nossos planos, objetivos, como pode ser visto no calendário de Eliza justamente no dia de salvar sua criatura da morte:

“A vida é apenas o afogamento dos nossos planos”

Ela então apenas retira a folha e nesse dia não lê o “pensamento do dia” que havia no calendário. Talvez se tivesse lido e tomado essa frase como verdade, teria afogado seu sonho... E você, quantos planos tem afogado na sua vida por tomar uma verdade como única? Ou por medo do que vão dizer/pensar? Ou por medo da discriminação? Ou então por achar que não vai conseguir? Ou por n outros motivos?

Cumprir com nossos planos é ser como a água: moldarmos as mais diversas situações, ser fluído, deixar-se transparecer e ser permeado pelo amor, esse amor que se adapta e assume a forma necessária, que nos preenche e nos fortalece, como pode ser visto no poema citado no final do filme:

“Sem poder perceber a Sua forma, eu vejo Você à minha volta.

Sua presença me enche os olhos com Seu amor,

Acalma meu coração, porque Você está em todo lugar.”

Ou será que vale fazer como Strickland e preencher nossa vida com ódio a ponto de apodrecer os dedos? Algo mais para pensarmos ao assistir esse filme... Então está esperando o que para ver A forma da água com o coração aberto e cheio de romantismo e refletir com a gente sobre o modo como lidamos com a vida?

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